
Anvisa aprova Ohtuvayre (ensifentrina) para DPOC, primeiro broncodilatador com novo mecanismo em décadas
O que foi aprovado
A Anvisa aprovou o registro do Ohtuvayre (ensifentrina), indicado para o tratamento de manutenção da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) em adultos. É o primeiro medicamento inalável com um mecanismo de ação totalmente novo para a doença em mais de duas décadas — a maioria dos tratamentos atuais é variação de broncodilatadores e corticoides já conhecidos.
O que é a DPOC
A doença pulmonar obstrutiva crônica é uma condição progressiva que causa inflamação e estreitamento das vias aéreas, dificultando a respiração — geralmente associada ao tabagismo, mas também pode ser causada por exposição prolongada a poluição ou fumaça. É uma das principais causas de internação e mortalidade respiratória no mundo, e não tem cura, apenas controle dos sintomas e da progressão.
Como funciona
A ensifentrina inibe simultaneamente duas enzimas (PDE3 e PDE4), combinando num único mecanismo o efeito broncodilatador (relaxamento da musculatura das vias aéreas, facilitando a respiração) com efeito anti-inflamatório — a maioria dos tratamentos existentes age em apenas uma dessas frentes por vez, exigindo a combinação de diferentes medicamentos.
Como é usado
O medicamento é administrado por nebulização, duas vezes ao dia, podendo ser usado em conjunto com outros broncodilatadores de longa duração já em uso pelo paciente, conforme orientação do pneumologista.
Efeitos colaterais
Os efeitos adversos mais relatados nos estudos clínicos foram dor nas costas, pressão alta e infecções do trato urinário — considerados leves a moderados na maioria dos casos, com perfil de segurança favorável em comparação a tratamentos que usam corticoide inalado de forma contínua.
O tratamento da DPOC deve ser prescrito e acompanhado por pneumologista, com ajuste conforme a gravidade e a resposta individual de cada paciente. Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica.
Sintomas da DPOC
Falta de ar progressiva (inicialmente aos esforços, depois mesmo em repouso), tosse crônica com produção de catarro e chiado no peito são os sintomas mais característicos — muitas vezes atribuídos por anos apenas ao "efeito do cigarro" ou à idade, o que atrasa bastante o diagnóstico formal da doença.
Diagnóstico
A confirmação da DPOC é feita por espirometria, um exame simples que mede o volume e a velocidade do ar exalado — indicado para qualquer fumante ou ex-fumante com mais de 40 anos que apresente falta de ar ou tosse persistente, mesmo antes de sintomas mais graves aparecerem.



