
Anvisa aprova primeiro genérico de semaglutida do Brasil: entenda a onda de novas canetas emagrecedoras em 2026
O que aconteceu
Em pouco mais de um mês, a Anvisa aprovou sete novas canetas injetáveis à base de semaglutida no Brasil — um movimento sem precedentes no mercado de medicamentos para diabetes e obesidade, que inclui o primeiro genérico e o primeiro similar da substância já registrados no país.
Por que agora: o fim da exclusividade
A onda de aprovações tem uma explicação regulatória direta: a exclusividade de fabricação da semaglutida sintética, até então concentrada na Novo Nordisk (fabricante do Ozempic e do Wegovy), deixou de valer a partir de março de 2026. Isso abriu caminho para outros laboratórios registrarem suas próprias versões do medicamento no Brasil.
A primeira leva: cinco canetas em julho
No fim de julho de 2026, a Anvisa aprovou o registro de cinco novos medicamentos injetáveis agonistas do receptor de GLP-1: Zempneo (Brainfarma), Semavy (Cosmed), Orsema (Ranbaxy), Seemasun (Sun Farmacêutica) e Owozy (Ávita Care, em parceria com Sandoz e Adalvo). Todos indicados para diabetes tipo 2, registrados por comparação com o Ozempic como produto de referência.
A segunda leva: o primeiro genérico e o primeiro similar
Em 17 de agosto de 2026, a Anvisa deu um passo além: aprovou o primeiro medicamento genérico de semaglutida sintética do país, registrado pela EMS, tendo o Ozivy (também da própria EMS) como medicamento de referência. No mesmo pacote, aprovou ainda o Semaclique, do laboratório Germed, classificado como "similar" — uma categoria regulatória parecida com a de genérico, mas com nome comercial próprio.
A diferença entre as categorias é regulatória: um medicamento genérico não pode ter nome comercial — é vendido apenas pelo nome do princípio ativo seguido do fabricante, exatamente como determina a legislação brasileira para genéricos. Já o similar, como o Semaclique, passa por um processo de aprovação parecido, mas mantém uma marca comercial.
O que isso significa para o preço
Pela legislação brasileira, o preço de um medicamento genérico precisa ser, no mínimo, 35% mais barato que o medicamento de referência. Como o Ozivy custa em torno de R$ 450 a R$ 500 por caneta, estima-se que a versão genérica da EMS possa chegar às farmácias entre R$ 293 e R$ 323 — ainda sujeito à definição final de preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
Quantas canetas existem hoje no Brasil
Somando semaglutida, liraglutida e tirzepatida (Mounjaro), o Brasil já soma 21 canetas emagrecedoras ou antidiabéticas autorizadas pela Anvisa. A agência estima ainda analisar outras 14 canetas ao longo de 2026 e mais três em 2027.
Quando chegam às farmácias
Nenhuma das empresas informou oficialmente até agora quando os novos produtos estarão disponíveis nas farmácias, nem os preços finais de venda. Depois do registro sanitário, ainda é necessária a aprovação do preço máximo pela CMED antes da comercialização — etapa que, historicamente, costuma levar de semanas a poucos meses.
Independente da marca ou do preço, o uso de qualquer medicamento à base de semaglutida deve ser prescrito e acompanhado por um médico, que vai avaliar a indicação, a dose e a resposta ao tratamento em cada caso. Este conteúdo é informativo e não substitui orientação médica.



